Original Olinda-SP Style

Vamos tentar de novo, 2011? Pois bem, nesse fim de semana São Paulo recebe a ilustríssima festa/show Original Olinda Style no SESC Pompéia.

A edição sempre rola no Mercado Eufrásio Barbosa em Olinda com bandas locais de peso, aqui em Sampa quem vem representar as ladeiras da cidade são Orquestra Contemporânea de Olinda e Eddie. Os shows rolam hoje (sexta) e amanhã com ingressos camaradas a R$ 16 (inteira) e R$ 8 (estudante).

Ps.: o SESC está sorteando ingressos, corre! Clica acá.

Agora se o sábado está reservado para creminhos e perfumaria, tire tudo para a Sem Loção, festa também pernambucana com tentáculos já fincados em São Paulo. O preço amargou consideravelmente para R$ 30, mas a organização garante que haverá melhorias com a inflação. Endereço, tipo de maquiagem e leite de rosas, clique aqui.

Quem aguentar, ainda rola a Voodoohop do Domingo Hipnótico para comemorar o Oscar – oi? mentira! Entrada gratuita até 18h ou se você for de bike. Diversão garantida, já que toda Voodoo é diferente. Mais info aqui.

No mais, divirtam-se com Kate Nash e Backstreet Boys e depois “téuuu mi uaii”. Meus vizinhos da Liberdade estão super na torcida para eu ganhar o ingresso na promoção. MENTIRA!

Entrevista com Isaac Hanson na íntegra

“Perguntem às suas irmãs mais velhas quem eram os Jonas Brothers dos anos 90, e a resposta será: Hanson!”, assim informava o suplemento Folhateen da Folha de S.Paulo no dia 3 de janeiro de 2011.

Em setembro de 2010 estive em Los Angeles para conferir o show do Hanson da turnê “Shout It Out” no House of Blues Sunset Strip. A casa lotada reunia fãs de todos os tipos e idades e confesso ter ficado assustada com a quantidade delas depois de tantos anos após o lançamento do tão memorável disco “Middle of Nowhere” em 1997, que infestou os quatro cantos do mundo com o hit “MMMbop” (assista ao clipe aqui). Durante a apresentação, músicas como “Where’s The Love” e “This Time Around” deram espaço ao single de 2010 “Thinking ‘Bout Somethin’”, com o clipe inspirado no filme “The Blues Brothers” e atualmente mais de 930 mil visualizações no YouTube.

 

Os garotos – não mais cabeludos – de Tulsa, no estado de Oklahoma (EUA), estão mais maduros, seguros, bonitos e responsáveis. Ao contrário da maioria dos ídolos teen da geração 2000, Zac (25), Taylor (27) e Isaac (30) não se envolveram em grandes escândalos, a não ser que os três irmãos já são pais de dois, QUATRO e dois filhos respectivamente (a última integrante nasceu no dia 15 de dezembro de 2010, filha do mais novo Zac, de acordo com nota publicada na revista People).

Os irmãos são donos da própria gravadora, a 3CG Records, casados e extremamente fieis aos fãs. Ao longo de mais de uma década, alimentam com informações e músicas novas a base “Fanson” através do site oficial, o Hanson.net, o @hansonmusic, com mais de 49 mil seguidores, e uma página no Facebook. Dentre as regalias, os fãs têm acesso a shows via live-stream, ensaios, ofertas de CDs e a tão famosa “Take The Walk”, em que os rapazes saem às ruas com uma multidão atrás: a mais nova adepta da The Walk foi  a estrela da saga Crepúsculo, Nikki Reed.

Conversei em nome da Folhateen com Isaac Hanson, que foi extremamente educado e de uma simpatia e maturidade contagiantes. Surpreso quando soube que a entrevista seria publicada no Brasil, ele deu início à conversa com saudosismo ao lembrar das duas turnês passadas em nosso país. Segue abaixo na íntegra:

Isaac Hanson – Há anos a gente sente muita falta do Brasil! Nós temos tantos fãs incríveis e é sempre tão divertido tocar aí! Estamos tentando lançar “Shout It Out” e talvez “The Walk” no Brasil no ano que vem, espero mesmo que a gente consiga tocar aí e ver todos os fãs pessoalmente. E acredite se quiser, mas a gente tem visto muitos fãs brasileiros nos últimos dois anos que têm vontade de viajar até os Estados Unidos e nos ver tocando. Sempre vemos brasileiros na plateia e pensamos: por que a gente não está lá [no Brasil]?

Sheyla Ventura (Folhateen) – Provavelmente os fãs estão nestes shows com uma bandeira do Brasil, certo?

Isaac – Sim, suas lindas bandeiras verdes! (risos) Os brasileiros são muito patriotas, é muito divertido!

S.V. Folhateen – Vocês agora são uma banda independente, donos da gravadora 3CG Records e ainda se casaram e tiveram filhos! Como conciliar tudo isso quando ainda são tão jovens para tantas responsabilidades?

Isaac – (gargalhadas) Meus pais são pessoas ótimas e sempre nos deram coragem para assumir responsabilidades e entender a importância de fazer um trabalho e fazê-lo bem. Eles nos disseram que as coisas boas vêm com o esforço do trabalho, devemos respeitar as pessoas e procurar boas oportunidades, sem medo de arriscar se for preciso. Acredito que tudo isso é verdade na vida real, sabe? Quando você encontra a garota certa (risos), arrisque! Você diz para ela: sabe de uma coisa? Eu me importo contigo, eu te amo e quero ficar contigo e parte disso quer dizer que estarei até quando eu puder. O que importa é o compromisso com essa pessoa, é pensar: eu sei que sou melhor com você do que sem você e eu preciso de você na minha vida – essa é a parte do casamento. E qual é o melhor emprego do que aquele que se ama? Não há nada melhor do que trabalhar em algo que eu gosto tanto. É trabalho duro, mas recompensador. É trabalho que te faz bem ao final do dia porque você sabe que deu tudo de si e assim todas as coisas como tocar em shows, escrever e gravar músicas, ficam prontas porque você ama o que faz e também porque se importa com os fãs, se eles consomem as coisas de que você se orgulha. Dizer a eles “isto foi o meu melhor, eu te dei o meu melhor e eu quero que você saiba que me importo sempre se você sente que eu o fiz com as minhas melhores habilidades”. Ser uma gravadora (3CG Records) é fazer o melhor trabalho possível em música e todas as outras coisas atreladas a isso.

S.V. Folhateen – Já são 13 anos desde o lançamento do primeiro disco do Hanson: “Middle of Nowhere”. Vocês ainda têm os mesmos fãs da época ou eles são adolescentes hoje em dia?

Isaac – A gente sente um pouco de tudo. Alguns fãs estão com a gente por muito tempo, desde o comecinho em “Middle of Nowhere”, que compraram todos os nossos CDs ao longo dos anos. Daí temos os mais jovens, os adolescentes que têm ido aos shows pela primeira vez, às vezes porque eles já ouviram nosso CD ou um amigo mais velho disse “você quer ouvir essa música?”, daí vêm ao nosso show. Outros são até mais velhos! São pais entre 40 e 45 anos e têm filhos de uns 20 anos que já ouviram nossa música e dizem “sabe de uma coisa? Eu gosto dessa música, vou com você!” (risos). Mas eu diria que muitos dos nossos fãs e pessoas que têm frequentado nossos shows estão entre os 20 e 25 anos de idade.

S.V. Folhateen – A gente conversou sobre o lançamento de “Shout It Out”, algum plano para o Brasil?

Isaac – Estamos trabalhando nisso! Na verdade, estamos conversando com algumas pessoas que estão nos ajudando a agendar o lançamento do CD no Brasil e na América do Sul. Nossa esperança é de que poderemos fazer a turnê na América do Sul em breve! Será muito bom voltar e ver nossos fãs, antes que seja tarde demais (risos)!

S.V. Folhateen – Quais músicas do “Shout It Out” você indicaria para adolescentes que nunca ouviram Hanson antes?

Isaac – Eu indicaria as que pudessem animá-los sobre tudo o que já fizemos, as mais “chicletes” como “Give a Little”, “Thinkin’ ‘Bout Somethin’” e “And I Waited”. Se eles gostam de algo mais meloso, “Carry You There”, “Use Me Up” e “Me, Myself and I”. Eu sou um pouco suspeito para falar! (risos) Uma das coisas mais complicadas para mim é que eu acho que os nossos CDs não soam da mesma forma no CD inteiro, existem muitas diferenças de faixa para faixa e eu acredito que nossos álbuns têm qualidades que muitas pessoas diferentes possam gostar. Elas podem gostar de quatro faixas mais do que as outras músicas do CD e outra pessoa pode gostar de um setlist completamente diferente do mesmo álbum. Então é difícil para dizer ao certo, mas creio que “Thinking ‘Bout Somethin’”, “Give a Little” e “And I Waited” são músicas muito animadas, que você pode dançar.

S.V. Folhateen – Escolhemos uma pergunta das fãs da banda no Twitter do @hansonbrasil. Francine Colone, do Rio de Janeiro e membro do fã-clube Brasileiro, quer saber se os próximos discos serão no estilo “Motown” e pop, como “Shout It Out”, ou se voltarão para o rock e blues.

Isaac – Todos os nossos discos tiveram um pouco de tudo. Músicas do “Middle of Nowhere” como “Speechless”, “Look at You” e “Minute Without You” são semelhantes às faixas como “Underneath”, “Dancing in The Wind”, “This Time Around” e de outros CDs. É difícil falar, não sei dizer ao certo, acho que eles serão sempre pedaços de “Shout It Out”, “This Time Around”, “The Walk”, “Underneath” e “Middle of Nowhere” nos próximos álbuns. Acho que se você gosta de um CD do Hanson, sempre gostará de músicas que são parecidas com algumas dos CDs antigos. Não sei… (se indagou).

S.V. Folhateen – Mas as letras estão bem diferentes de “Middle of Nowhere”, não acha? Vocês agora são adultos.

Isaac – Sim, existem algumas diferenças. Mas acho que uma música como “Weird”, “I Will Come To You”, “Speechless” e “With You in Your Dreams”, todas do nosso primeiro disco, poderiam facilmente estar num disco novo do Hanson. Não acho que elas sejam muito diferentes, algumas você não escreveria da mesma forma pelo fato de ser dez anos mais velho. Acredito que a maioria das pessoas escuta diferente porque nós éramos mais jovens e não necessariamente por conta das letras em si, e só porque éramos jovens, elas soam diferente.

S.V. Folhateen – o que você diria aos jovens que tocam rock hoje em dia e estão passando pelo mesmo assédio que Hanson antigamente, como os Jonas Brothers?

Isaac – (ri com voz de experiência) o que eu diria a eles, diria a qualquer pessoa. Você pode ter 11, 16, 27 ou 35 anos e o conselho será o mesmo: foco na música em primeiro lugar, foco nas letras que está escrevendo e nas coisas que te dão prazer em fazer o que você faz. Não esqueça a reação do seu público, o que ele gosta. Se você sempre pensar no que é melhor para você e para o seu público, sempre encontrará o seu lugar para fazer música, continuar sendo você mesmo e deixar as pessoas felizes com o que estiver fazendo. Existem muitas outras coisas que não podemos controlar, se a rádio irá tocar sua música, quantos dólares uma gravadora irá gastar para lançar seu CD, mas você pode controlar a música que você faz e o seu relacionamento com seus fãs. Honre o entusiasmo deles [fãs], sempre mostrando a eles que você se importa com a animação deles e por gostarem do que você faz. Se o foco for dirigido para o que você pode controlar, então acredito que tenha a oportunidade de seguir com a música o tempo que quiser. Nós sempre dissemos isso desde o início: nunca alguém se importará tanto quanto você, então lembre-se de fazer o que for verdadeiro com você mesmo porque quando subir no palco, terá que viver com aquele disco para sempre. A gravadora pode assinar contrato com outro artista, o empresário pode ter outro artista, fãs podem achar outras bandas, mas você será sempre você, então tenha orgulho do que faz e faça-o bem alto o mais frequente possível! (risos fraternos)

S.V. Folhateen – Para terminar, você não saiu da banda, saiu?

Isaac – Não, não saí. Foram boatos… (risos)

S.V. Folhateen – Muito obrigado pela sua atenção e esperamos ver o Hanson no Brasil em breve!

Isaac – Nós também, muito! Obrigado por conversar comigo. Foi muito legal falar com você. Muito obrigado!

Fundação Padre Anchieta realiza concurso cultural para jovens de São Paulo

A Fundação Padre Anchieta está com um projeto para realização do concurso cultural Expressão FPA em São Paulo. Os jovens devem escolher regiões estratégicas da cidade para melhorá-las numa perspectiva cultural. As inscrições serão realizadas pelo hotsite do concurso e central de atendimento da Fundação.

Os grupos inscritos devem encaminhar seus trabalhos com cenário da região escolhida, tema do projeto, proposta de ações e canais de divulgação. Depois de passarem por todas as fases eliminatórias, cinco irão para a fase final.

Para mais informações, siga o perfil da Agência QA+ (http://twitter.com/agenciaqueamais) no Twitter.

“We’re gonna rule the world”, my children!

Porque Nação é Nação, meu camarada. O puro creme do milho, como diria Rodrigo Fernandes. Com eles posso ser extremamente tendenciosa. O que há de melhor no meu iPobre, se eu procurar na internet, tem Nação no meio também. Exemplo de agorinha, versão deles de “Balanço” e “Rational Culture”, ambas de Tim Maia.

Agora repete comigo: “Porra Santiago!”

Karina Buhr na véspera do feriado!

Babados no baile. Karina Buhr na véspera do feriado no Studio PE, digo, SP.

Comentário mulherzinha:  tô amando todas as roupas dela. Arrasa, bem.

Rodrigo, do Dead Fish, entre palcos e panelas vegetarianas

Heloísa Barros e Sheyla Ventura

Rodrigo Lima nasceu no dia 6 de fevereiro de 1973, em Vitória, no Espírito Santo. Em 1991 decidiu abandonar a futura carreira de advogado para ser vocalista da banda Dead Fish. Há 20 anos em atividade, Rodrigo se divide entre palcos, casamento e uma vida dedicada ao vegetarianismo no restaurante Vegacy, localizado na Rua Augusta, em São Paulo. Na entrevista a seguir ele conta um pouco de cada transição em sua vida, projetos da banda e a nova descoberta de poder ser um dia cozinheiro vegetariano profissionalmente.

Você mudou para São Paulo para acompanhar a banda?

Sim. A gente já estava na estrada há quatro anos, eu ficava em Vitória cinco meses do ano e o resto viajando, dentro de um van fazendo merchandising e indo pra um lugar e outro. Mas em 2003 a gente já não aguentava mais, muito tempo dentro de uma van apertada, pouco dinheiro, pouca perspectiva, cansou, todo mundo foi cansando. A gente brigou e a gente tinha o nosso próprio selo, a Terceiro Mundo Produções Cenográficas e o selo quebrou.

Nesse período de brigas mudou algum integrante?

Mudou, o guitarrista saiu. Eu ia sair, eu ia embora do Brasil. Eu ia fazer um curso de Direitos Humanos em Utrecht (Universidade), em Amsterdã.

Mas por que a escolha do curso?

Eu sou formado em Direito desde 1999.

Ou seja, você tinha uma banda, fazia turnê e estava se formando em Direito ao mesmo tempo?

Sim.

E como era conciliar isso?

Era louco, insano. Eu lembro que eu fazia parte do Centro Acadêmico e não fui em nenhum dia de reunião. E aí quando eu me formei em Direito, na outra semana tinha prova da Ordem (OAB). Eu fui preso por confusão, pichando a rua e tal, e aí eu assinei o meu diploma e entreguei para minha mãe e falei “eu não vou fazer a prova da Ordem, eu vou para a turnê com a minha banda”, e fui embora.

E a sua mãe?

Minha mãe é artística plástica.  Ela ficou bastante frustrada, mas falou “não tudo bem, segue a sua vida, mas pague o preço”. Eu falei “estou disposto a pagar o preço” e até o hoje eu pago.

Sem nenhum arrependimento?

Não mesmo. Eu sou muito melhor hoje do que se eu fosse um advogado rico.

Mas você teve dúvida entre estudar fora e sair da banda?

Eu não tive dúvida nenhuma. Quando a banda acabou…

Espera, a banda acabou?!

Acabou por um mês. Fechou o selo e eu falei “ó eu não tenho nada a ver com isso, o selo está endividado, eu vou embora”. Fui fazer minha inscrição online para Universidade de Utrecht. Mas aí a banda resolveu assinar com um selo que era a Deck, o selo da Pitty e Nação Zumbi, e a banda falou “ah a gente pode tentar viver disso de outra forma”. Eu disse não, mandei todo mundo se ferrar. E o baterista, que saiu há um ano [da banda], brigou comigo, a gente brigou de mão, ele dizia “você vai ficar, você vai ficar”, e aí eu fiquei. E também pelo cara ter uma conversinha de pé de ouvido comigo, o Rafael Ramos que é o dono da Deck, dizendo “ah, vocês vão ter uma casa, vão poder viver de banda, vai poder isso, vai poder aquilo…” e cá estou.

E rolou?

Não, claro que não. Você vai acreditar em alguém que tem uma gravadora? Imagina, não rolou, mas mesmo assim foi legal.

Mas por que não rolou num selo grande?

A gente era punk o bastante para não querer estar num selo grande. A gente queria gestionar a nossa música, ser autônomo. A gente lançava o nosso próprio CD, gerenciava nossas próprias turnês, fazia música, ia para estrada. Tínhamos aquela ilusão de ser aqueles caras de Washington, os americanos que conseguiriam viver disso [música]. Na verdade houve uma grande possibilidade, só que a gente vive no Brasil, cara… tudo é mais complicado… distribuição você toma cano… não dá para ser rock star sendo punk.

Vocês não se acham rock star? Porque muita gente conhece Dead Fish…

Nunca achei. Ser famoso é uma coisa, ter dinheiro é outra.

Ganha dinheiro com CD?

Não ganha. Eu vivo de show, eu estou rouco por isso, fiz quatro shows nesse fim de semana. [Na época da entrevista os shows foram no Rio Grande do Sul]

E por que não ganham dinheiro com CD?

Além de não vender mais, o contrato não é e nunca foi legal numa gravadora. Pergunta para o Chico… quer dizer, Chico Science não (risos), pergunta paro o Du Peixe [Nação Zumbi] se ele ganha dinheiro com o CD dele. Os contratos têm porcentagens ridículas, mínimas.

E como aconteceu de você vir parar no Vegacy?

Eu sou vegetariano desde 1990, há 21 anos. Antes de eu entrar para a banda eu já era vegetariano.

E por que você decidiu ser vegetariano?

Não foi por pena dos animais. Foi uma questão mais política do que qualquer outra coisa. Tipo ocupação de terra: onde se põem dez bois para alimentar 100 pessoas, você põe não sei quantos hectares de tomate, feijão, lentilha, vagem, para alimentar 500 mil pessoas. E o estopim mesmo foi uma feijoada.

O que aconteceu?

Eu passei mal uma semana.

Foi o tutu?

Sei lá o que é que foi. E a feijoada era da minha avó, ela é uma capixaba tradicionalista. Tudo bem, a feijoada não é uma especialidade local, mas era uma especialidade dela. E aí eu passei muito muito mal.

Mas você parou de comer carne de vez ou aos poucos?

Eu tive que parar aos poucos. Por exemplo, na minha avó, que é tradicionalérrima capixaba, não se admitia que eu não comesse caranguejo, a moqueca de camarão ou a torta capixaba, que é o único traço de cultura que a gente tem. Aí eu tive que ir parando aos poucos daí ela falava “ah você não come mais carne vermelha, né?”, eu falei “não, eu não como carne”. Aí minha avó começou a me dar frango. Daí eu comecei a tomar um nojo… um nojo extremo, mas um nojo de não conseguir sentir o cheiro, entendeu? E aí no quarto mês para frente acabou tudo.

E a partir disso você não sentiu falta de carne em nenhum momento?

Eu senti falta de marisco. Mas eu não achava mais legal. Uma vez minha mãe fez bobó de camarão e eu senti uma vontade extrema de comer. E aí comi. Comi e passei mal.

Você chegou a participar de alguma atividade em prol do vegetarianismo?

Eu sempre achei uma coisa muito individual. Tanto que os caras da minha banda não são vegetarianos e eu nunca escrevi uma letra sobre vegetarianismo porque o resto da minha banda não é, então não é certo. Já participei de alguma comunidade e tal, já fiz manifestações, mas eu nunca fui aquele cara do tipo “morram carnívoros”, sabe? Acho que por mim todo mundo seria vegetariano. Mas eu não posso impor isso para ninguém. Pobres dos animais, pobres mesmo que eu não posso impor isso. É uma questão individual.

E como foi mesmo que você parou aqui no Vegacy?

Eu sempre fui amigo dos meninos. O André é meu amigo há muitos anos, sempre foi vegan. Eu não sou vegan [quem não come qualquer alimento de origem animal]. E eu sempre ia nos restaurantes dele. Sempre gostei de cozinhar lá em casa…  e aí a banda começou a cair e eu nunca teria a ilusão que eu viveria 20 anos de banda. Eu também sempre fui um cara muito avesso ao trabalho, ao emprego em si, e depois da música a única coisa que eu acredito é o vegetarianismo. Daí surgiu a oportunidade um dia de eu começar a lavar prato. Ele disse que precisava de alguém que lavasse o prato e servisse a mesa.

Quando foi isso?

Tem 1 ano.

Você vem todo dia?

Venho todo dia quando eu posso. Quando estou com a banda alguém me substitui. Isso causa até um certo problema para o André. Ele não tem um funcionário, ele tem um freela eterno. Eu estou no meio de um processo, eu quero ter a cozinha como algo meu, como uma profissão minha. Eu não sabia que eu queria isso.

Você cozinha alguma coisa no restaurante?

Cozinho algumas coisas, alguns molhos eu já fiz. Um dia com o André eu fiz aquele bacalhau vegan, a gente faz massa também…

E como é dividir seu tempo entre banda, casamento, vegetarianismo?

É caótico, né, mas já foi muito pior. Eu trabalho aqui, eu escrevo todo dia e lidar com a banda é conturbado porque é uma banda conhecida, mas que não ganha dinheiro. Então cada um tem que correr com as próprias coisas, marcar ensaio, conciliar as diferenças de quatro pessoas já velhas na estrada.

A banda tem uma relevância na cena musical brasileira, já são 20 anos. Vocês pretendem fazer alguma coisa especial?

A gente gostaria, só que como só eu estou a 20 anos na banda a gente tem uma certa dúvida se deve mesmo comemorar. Temos uma ideia de fazer um DVD ao vivo, só que a gente não tem dinheiro para isso, vamos precisar recorrer a alguma coisa, estamos vendo. E a gente quer fazer uma turnê para lugares que nunca fomos na vida.

Tipo Acre?

Tipo Acre. Tipo Macapá.

Tem mais alguma coisa para falar? “Um abraço pro Flamengo”?

Mengão! Nas quartas de finais da Libertadores, “tamo” aí!

For all de Olinda em São Paulo!

“Fui num forró que era toda quarta-feira, mas que beleza, só via mulher chegar. Fui num forró que era toda quarta-feira, no gemido da rabeca, quero ver mulher suar”

Aí eu pergunto, nunca foi no Xinxim da Baiana nas lendárias noites de quarta-feira em Olinda? Desde 2006 que o forró rabecado do Quarteto Olinda faz o tamboco dos pés olindenses cairem de tanto dançar. Entre a reclamação de um vizinho até a proibição da festa no Xinxim (que graças a Oxum não é mais proibida), os meninos gravaram CD e rodaram por Pernambuco levando forró de qualidade e sem dançarinos semi-nus. É uma das principais atrações da cena Olindense e arrasta gente de Recife e Jaboatão (salvem as setubianas!).  E o mais importante: é uma das poucas bandas pernambucanas do circuito alternativo que ainda não deixou sua cidade para trás.

Cláudio Rabeca na rabeca (né) e voz, e como já diz a música que abre esse post, “Yuri no baixo, Bruno no mineiro, Guga na zabumba e O Rasta no pandeiro”, os meninos vão aportar em terras paulistas essa semana já. Dia 2 de maio eles tocam no SESC Bauru, dia 6 no SESC Ribeirão Preto e dia 9 no SESC Campinas.

E SÃO PAULO????!!!!!!

Pois é, ainda tô bege que o Studio PE, digo SP, Sarajevo ou no mínimo Canto da Ema não estão sabendo da vinda do Quarteto Olinda. Se tiver um número SAC aí, me passa que eu ligo.

Quer saber mais? Indicar para um amigo que mora em Bauru, Ribeirão Preto ou Campinas? Segue:

SESC Bauru – 2 de maio – 16h – GRÁTIS

SESC Ribeirão Preto – 6 de maio – 21h – R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia)

SESC Campinas – 9 de maio – 15h30 – GRÁTIS


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